sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Navegar

Eu prefiro uma vida sem tanta complicação.
Sem códigos, sem tantos gestos secretos que tudo ou nada significam.
Um vida com "sim", "não" e "espera um pouco".
Defeitos? Quero rir-me dos meus e dos teus.
Quero que "simplicidade" seja sinônimo de maturidade.

Escolho a normalidade, o plácido ritmo da vida comum. Com sua rotina de sorrisos, com despedidas sem drama; uma vida sem tanta problematização.

Não quero uma vida de indecisão.

Apenas quero navegar, ao sabor das ondas viver; sentir o vento, olhar para o céu, e dizer: "hoje vai chover".

Quero um calmo navegar, ao som das ondas e do violão. Ao som das vozes de todos quantos também quiserem navegar.

E em cada 'dia normal' quero navegar, quero ver o mar mesmo num lugar fechado e com luz artificial.
Quero o som das ondas mesmo no silêncio com ar-condicionado ao fundo.
Quero o som do violão, mesmo em um fone de ouvido.
Quero o som das vozes, mesmo em um texto, em um chat qualquer.

E, por hoje, chega de devaneios. Deixo a vida continuar.

Traço um rumo, iço as velas e sigo em frente.

domingo, 7 de agosto de 2016

Migalhas

Não me venha com migalhas, ainda prefiro a fome
aos restos encharcados de piedade alheia.
Se não é luz de candeia, não é produzida por candura.
Ainda prefiro o escuro, a uma luz fraca demais
De fósforos sem duração,
calor sem mantimento,
Palavra sem razão.
Prefiro o silêncio, aos barulhos sem comunicação.
A tua piedade vã não merece sequer canção.
No máximo uns versos rasos de que logo esquecerão.
Não. Não merece canção.

(02/08/2016)

sábado, 2 de julho de 2016

Último depoimento no Orkut

Antes de o Orkut acabar, a moça resolveu dar uma olhada em suas lembranças no site. Quando abriu seu perfil, deparou-se com o seguinte texto:

Oi, estou escrevendo este depoimento porque, sinceramente, estava entediado. Você entende como é, fazemos coisas sem sentido quando estamos entediados. Na verdade, é o que fazemos na maior parte do tempo. Veja o contexto onde estou escrevendo estas linhas, a internet, todos perdem tempo com trivialidades aqui na rede.

E porque estou escrevendo isso? Não sei.

Talvez, eu queira falar algumas coisas que não falei no bate-papo, mas não sei bem se já pensava tudo o que penso agora naquele tempo. Nossas conversas eram incríveis... Você era incrível ou, ao menos, pensava que você era incrível. Infelizmente, não posso discernir a verdade partindo apenas do histórico de bate-papo. Não posso dizer que te conheci. Posso dizer – isso sim – que conheço o que você escreveu sobre si. Gostei do que li. Sinto não ter tido a oportunidade de ver se o que foi escrito era uma realidade concreta.

Marcamos vários encontros e os desencontros da vida fizeram o favor de desmarcar todas estas oportunidades. Ou será que era você que não queria se encontrar comigo? Não sei e, na verdade, não importa mais.

E ainda tive a sanha de te idealizar.

Estava tudo ali, numa caixinha de diálogo, redigido por tuas mãos. Não precisava idealizar, você já tinha realizado esse trabalho por mim, suponho. Queria quebrar a diferença entre teoria e prática, queria contar minhas piadas pessoalmente e ver tua expressão facial – ainda que simulando – com riso. Massagearia meu ego, você se divertiria bastante e comeríamos uma pizza depois de ver algumas vitrines no shopping.

Neste momento, você já parou de ler. O que faço pode ser entendido facilmente como comportamento obsessivo de um stalker, ou de um mal-amado. Creio que – embora pareça – não estou fazendo isso. É só tédio, mesmo...

Sabe, cheguei estressado do trabalho, abri uma garrafa de bebida barata e estou sentindo o efeito do álcool. A bebida ainda não fez efeito nos meus dedos, por isso ainda não comecei a tlocar... digo... trocar as letras.

Será que estou escrevendo tudo isso para dizer que tenho saudade? Não... Ou talvez... Quem se importa?

O Orkut está acabando, aquele histórico de bate-papo virará poeira em algum hub da Google e eu não poderei ler nossas conversas de novo para me lamentar mais uma vez.

Enfim, acho que era isso que queria escrever...

:) :) :)

A moça então falou:

– Quem é esse maluco?

Inaugurando a sessão: Amigos do George

Olá! Primeiramente gostaria de prestar um esclarecimento: Eu não sou o George -- apesar de o nome do blog ser "Divagações do George". Passando a etapa de esclarecimentos, gostaria de me apresentar: meu nome é Lucas Lima e fui chamado pelo George para ser o tapa buraco deste blog empoeirado.

Depois de dizer que não sou o George e anunciar que vim tapar buraco, o quê mais devo dizer? Talvez, devesse dizer o que faço da vida: que é, além de fazer nada, ser estudante de Engenharia de Computação, não é um curso muito interessante para puxar uma conversa numa lanchonete com sua crush, enquanto come pastel de queijo e tem certeza que você vai morrer com todo aquele óleo indo diretamente para o seu coração. Mas, é um curso legal, juro que é um curso legal. 

O que mais posso dizer? Bem, o clichê dos autores de blog é falar apenas do que gosta, pois, lá vai: eu gosto do que a maioria gosta: Youtube, Séries(especialmente as de comédia), ler livros e do Batman. Além disso, passo mais tempo planejando ler um livro do que propriamente lendo o livro, o que considero uma atividade nada produtiva.

Não sei andar de bicicleta, é uma frustração que eu tenho por mancadas de meus pais. Morei em um apartamento dos 0 aos 9 anos, e mamãe não deixava descer para a rua para andar de bicicleta com os filhos da vizinha(parece que ela tinha medo que eu fosse atropelado). 

Enfim, o  parágrafo anterior foi só um desabafo...

Sou tão ou mais pessimista que o George, o que explicarei com uma analogia. Se George e eu fôssemos jogados no fundo de um poço, ele ficaria ali a reclamar da escuridão, e eu me jogaria na terra para cavar mais fundo. Apesar disso, sou mais dado a platonismos que ele, o que significa que, no final da analogia do poço, o George tentaria se agarrar as paredes para subir à superfície, mesmo sabendo que não iria conseguir, e eu continuaria cavando fundo na terra, com o objetivo de chegar o mais rápido possível à China.

Calma gente, é só uma analogia, a realidade não é tão exagerada assim.

Bem, e o que vou fazer aqui para tapar buraco? O nome do blog é Divagações do George e, apesar de eu não ser o George, vou fazer a mesmíssima coisa. Como o significado de "divagação" me remete a pensar sobre qualquer coisa, logo, tenho liberdade para tal. Então, é possível divagar utilizando-se de vários meios seja artigo, seja ficção. Como não gosto muito de passar uma mensagem de maneira objetiva, vou publicar aqui o material que já tenho guardado, que constitui-se em sua maioria de contos e tentativas frustradas de imitar o Luís Fernando Veríssimo.

Para finalizar, gostaria de dizer que este texto ficou muito grande e que esse é outro defeito meu, ser prolixo. Mas, prometo que isso não acontecerá muito, afinal, produzo bem pouco, o que gera uma razão mínima, se você dividir o número de linhas desse texto pelo número de dias em que esse blog fica desatualizado. 

:) :) :)


sexta-feira, 1 de julho de 2016

A Era da Intimidade Autoviolada

      Tem coisas que simplesmente não dá pra postar.

      Observo essa "era das redes sociais" com um certo temor. As pessoas parecem ter esquecido da importância do silêncio, do segredo, mas não só disso...
      As indiretas postadas dioturnamente só revelam a inabilidade para resolver conflitos de uma maneira madura.
Os constantes choramingos digitais só revelam a incapacidade de processar seus sentimentos por meios sadios...
      O coração da gente é algo muito frágil pra ser exposto ao mundo todo. Tem coisas que não se conta nem a um amigo e acabo vendo postadas pro mundo ver.
      Meu conselho: se algo te perturba tanto, vá orar.

      É triste perceber que a nossa geração tem esquecido de como se faz para chorar suas mágoas e resolver seus problemas sem se expor ao mundo por uma janelinha digital.
Exponha seu coração e seus problemas pra quem te conhece antes mesmo de você existir e quem realmente tem o poder de resolver resolver seus problemas.

(21/04/2016)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O problema da moralidade meramente subjetiva (vídeo)

            A moralidade subjetiva só funcionaria num mundo perfeito, e não vivemos em um mundo perfeito, e nós bem sabemos que não vivemos em um mundo perfeito.
            Vemos todos os dias na vida e nos jornais a maldade da qual o ser humano é capaz, mas, ainda assim, existem aqueles que acham que uma moralidade meramente subjetiva pode subsistir.
            Sem o pressuposto de Deus no alicerce, não existe sustentação na casa. Sequer existe casa. Sem Deus, não existe fundamento para o amor, altruísmo, nem para a dignidade do ser humano.
            Todo naturalista que defende esses valores trabalha com "Capital emprestado", pois em seu pressuposto o ser humano passa a ser visto como uma mera máquina biológica, sem propósito algum.
            Então, antes de dizer "tudo é relativo" pense um pouco. Será que é mesmo?
         

       

                           

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Meu olhar sobre "O Pequeno Príncipe"


            Acho que uma das coisas mais interessantes de crescer, é ter outro olhar sobre as coisas; é poder olhar e ver mais que o superficial; perguntar e buscar respostas. Reler um livro lido na infância é uma experiência singular que para minha sorte, tive o gosto de experimentar mais uma vez.



            Não lembro bem se foi no quinto, sexto ou sétimo ano do Ensino Fundamental, minha professora de português me emprestou "O Pequeno Príncipe" dizendo que o livro dela era uma relíquia e que eu deveria mesmo ler porque era um clássico. Li durante uma tarde inteira. Achei interessante, mas não vi nada além da historinha, não vi nada de tão sensacional, mas gostei do livro. Entreguei de volta para a professora que me perguntou com um sorrisão se eu tinha gostado, talvez esperando meio ansiosa que eu tecesse comentários mil sobre o livro, apenas respondi que gostei.  Desde então um bocado de tempo se passou e mais uma vez estava com esse título na mão (um presente que ganhei) e li novamente. Minha mente agora trabalha de maneira diferente, experimenta olhares diferentes observou cada quadro e montou um inusitado mosaico de interpretação, diferente de qualquer coisa que eu lembrasse sobre o livro. Você pode achar que eu "viajei muito", ou que ando assistindo muito filmes como "Clube da Luta" (acabei de violar a primeira regra do clube, mas deixa quieto! ), mas eu ainda acho que faz sentido. Lá vai.

Comentários via facebook