Na TV, sempre vi aniversários em filmes e séries: aquelas crianças sortudas que ganhavam de tudo e tinham a casa lotada por colegas bagunceiros. Houve um tempo em que eu quis isso para mim.
Todos os anos via os aniversários de pessoas ao redor e, não vou mentir, quis isso para mim.
Surpresas, homenagens diversas já foram coisas que povoaram minha imaginação em pontos quase esquecidos de minha existência.
Aí aconteceu algo engraçado: Eu cresci.
Cresci; aprendi que amigos próximos são poucos, aprendi a usar ponto e vírgula; aprendi a não ter medo de certos animais e a gostar de coisas para as quais antes eu fazia cara feia.
Engraçado como a vida muda a gente. Como os anos, de mansinho, mudam a nossa forma de ler a realidade.
Já fui um menino sonhador fazendo biquinho pelo que não tinha. Confesso que às vezes ainda o sou.
Mas aprendi a ser esse cara que alguns dizem ter alma de velho, e que aprendeu a sorrir pelo que tem.
Os aniversários para mim, às vezes ainda são dias de avaliação, outras vezes são dias esplendorosamente comuns. Dias em que tenho a agoniante sensação de estar ficando sem tempo para ilusões.
(02/12/2017)
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